Drained

Mais uma vez tiro a poeira dos olhos pra mirar fundo no ínfimo e infinito nada que toma conta de meus dias, que parecem se arrastar sobre os joelhos, vindo e indo a lugar nenhum, enquanto meu “eu lírico”, montando essa besta sem pés e sem pressa, urra para que alguma coisa, grande ou pequena, boa ou ruim, mude o curso eternamente retilíneo que percorre já há tempos.
Do outro lado do espelho, submerso na realidade, me impressiono quanto tempo e quantas palavras dedico a algo tão abstrato, cujo significado é justamente nenhum. É algo que não existe. É algo que define tudo aquilo que não é. Não tem tamanho, não tem imagem, mas, ao mesmo tempo, é infinito. Como pode, o maldito que me perturba, está e não está em todos os lugares… Sou obrigada a encará-lo a cada segundo, mas sou incapaz de contornar o pescoço e esmagar a carne. Por sorte. Se o nada já é nada, o que sobraria se eu o matasse? Provavelmente algo pior que ele. O gêmeo mau, ou o arqui-inimigo que caiu em lixo radioativo.

E mais uma vez me pego viajando. Achando que estou indo a algum lugar enquanto desfruto da mais pura “merda nenhuma” de sempre.

~ por Isabella em fevereiro 12, 2012.

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